Sinopse

SYMPHONY OF SORROWS

Um leve toque sobre as nossas sensações à margem da realidade humana. Os nossos corpos formam um organismo que vislumbra a imagem do que temos no subconsciente. Um universo dentro de cada corpo tornado música. Como se conseguíssemos ver cada nuance musical enquanto vivemos pequenos momentos que nos são fortemente familiares.

Miguel Ramalho

Julho 2020


FALL

Arvo Pärt chama à sua própria música “reconfortante”. E é. Leva-nos para casa ao que, por vezes, parece ser repetitivo; apanhamos o fôlego no silêncio com que a partitura está repleta. Mas talvez ainda mais impressionante é que o poder que a peça descobre e redescobre, parece cair tão facilmente no nosso próprio ritmo natural. É esta mesma sensação de conforto que encontramos na coreografia de Sidi Larbi Cherkaoui, num movimento que leva ao próximo e no ciclo repetitivo de cair, levantar-se e voltar a levantar-se, pois acaba por levar a uma mudança perpétua.

Fall é um peça de muitas camadas. Vemos uma evocação da estação do Outono a desenrolar-se diante dos nossos olhos. Os 29 bailarinos deixam a peça levá-los, como folhas de cores vivas a cair sopradas pelo vento: agora todos ao mesmo tempo, depois apanhados num dueto lúdico, depois a solo. Os aliados um do outro nesta batalha de vontades contra a própria gravidade. Observar como estruturas e padrões emergem deste aparente caos e se repetem até começarem a formar uma evolução gradual, é nada menos que hipnotizante. É uma interação constante. Cada queda contém dentro de si a sua própria ascensão, impulsionada pelo poder dos bailarinos, cada um colocando os outros em movimento, e cada um superando-se na sua flexibilidade e piruetas. Cada um que, cada vez que cai, arrastado para o chão, é trazido de novo à superfície por uma força invisível. É uma interação que alude à natureza.

Entretanto, a outro nível, a pontuação dita a acção, e mais importante, a interação. Ouvimos reflexões, vemos ecos, repetições trazem movimentos a crescendo, e observamos como uma verdadeira transformação ocorre diante dos nossos olhos.

Fall, uma ode à estação do Outono, enquanto estação da introspeção que é, tal como esta coreografia reflete, a resiliência, a inacreditável flexibilidade e a capacidade de absorção do espírito humano em toda a sua grandiosidade. Por muito caótico e desesperado que possa parecer, o olho volta sempre para os padrões que intuitivamente compreendemos e que nos conduzem à fase seguinte, como uma estranha máquina de movimento perpétuo.

Em equilíbrio, cada parte ligada, a essência primordial da natureza humana.

Chris Van Camp

Outubro 2015

Ficha Técnica

Symphony of Sorrows
Miguel Ramalho Coreografia e Figurinos
Henryk Gorecki - Symphony No.3, Op.36 "Symphony of sorrowful songs"Música
Cristina PiedadeDesenho de Luz
Fall
Sidi Larbi CherkaouiCoreografia
Jason Kittelberger e Acacia SchachteAssistentes do coreógrafo
Arvo Pärt "Fratres, Spiegel im Spiegel and Orient & Occident"Música
Fabiana Piccioli e Sander LoonenCenário e Desenho de luz
Kimie Nakano Figurinos
Ballet da Ópera da FlandresProdução original
CNBProdução

Elencos

Symphony of Sorrows
Bailarinos CNBInterpretação
Fall
Bailarinos CNBInterpretação

Ensaio Geral Solidário

Através de um donativo a partir de 12 euros a uma das instituições a anunciar, tem direito a um convite para assistir ao Ensaio Geral Solidário do programa Cherkaoui/Ramalho, no dia 23 de março de 2022, às 20h, no Teatro Camões, em Lisboa.

Ao contribuir para esta causa, será entregue um recibo de donativo, ao abrigo da Lei do Mecenato, para efeitos de dedução fiscal.

Saiba mais aqui.


SOBRE O ENSAIO GERAL SOLIDÁRIO

O Ensaio Geral Solidário — EGS — é uma iniciativa inédita da CNB iniciada em 2011 por Luís Moreira, ex-bailarino da Companhia, e que tem sido realizada praticamente em todos os ensaios gerais da CNB. Em cada espetáculo, apresentado no Teatro Camões, a CNB oferece o ensaio geral a instituições de solidariedade social, proporcionando não só um momento de união entre os públicos e as causas sociais como as condições necessárias à angariação de fundos que ajudem as instituições a alcançar os seus objetivos.

A ligação da cultura à solidariedade, a mobilização da sociedade civil em torno de causas sociais e os resultados obtidos nos últimos anos dão-nos a certeza que este é um projeto que faz sentido continuar a desenvolver. Ao longo de dez anos, apoiámos mais de uma centena de instituições que têm escolhido a CNB para sua companhia nas causas solidárias em torno da dança.